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Ex-secretário confessa que recebia propina de empresário dentro da Fiemt

18/11/2019 - 09:09:44

O ex-secretário de Estado de Administração (SAD-MT), Pedro Elias, revelou ter recebido uma propina mensal de R$ 20 mil do empresário Jandir Milan, ex-presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), e proprietário da Ábaco Tecnologia da Informação. A informação consta da denúncia do Ministério Público do Estado (MP-MT) contra 6 pessoas – os ex-secretários de Administração (atual secretaria de planejamento e gestão), César Zílio e Pedro Elias, o ex-superintendente de previdência, Bruno Sampaio Saldanha, o coronel PM da reserva, José de Jesus Nunes Cordeiro (ex-secretário-adjunto da SAD-MT), a Ábaco Tecnologia da Informação, e seu proprietário, o empresário Jandir Milan.

A denúncia foi assinada pelo promotor de justiça Clóvis de Almeida Júnior na última quarta-feira (13). A investigação do órgão ministerial também utilizou um inquérito policial que contém o depoimento de Pedro Elias.

Segundo o ex-secretário da SAD, logo que ingressou na pasta, no início de 2014, Jandir Milan o procurou para discutir sobre três contratos que a Ábaco mantinha com o Governo do Estado. “Após assumir como secretário na SAD em 2014 foi procurado em seu gabinete na SAD, acreditando ter sido no mês de fevereiro ou março pelo proprietário da empresa Ábaco Tecnologia da Informação Ltda de nome Jandir Milan, o qual possuía três contratos com a SAD; que nesse encontro Jandir apenas se apresentou ao interrogando”, contou Pedro Elias.

De acordo com a denúncia, dos três contratos, dois deles somavam R$ 7,96 milhões e tinham o objetivo de prestar serviços de tecnologia da informação na SAD, como consultoria, infraestrutura, suporte e outros trabalhos. Pedro Elias, entretanto, conta que os valores pagos no negócio à Ábaco estavam “muito altos” e que ao longo de 2014 esses repasses foram reduzidos – fato que preocupava Jandir Milan. “Esses contratos entre a SAD e a empresa Ábaco estavam com valores muito altos que naquele momento a SAD não tinha como honrar, razão pela qual ao longo do ano tais valores acabaram sendo reduzidos; que por tal motivo nesses primeiros encontros que teve com Jandir Milan o assunto principal era sobre essa redução dos valores de seus contratos”, relatou o ex-secretário de administração.

Posteriormente, ainda conforme a denúncia, Jandir Milan teria oferecido o pagamento de R$ 20 mil por mês a partir de março de 2014 para garantir a manutenção e o pagamento do negócio. Em seu depoimento, Pedro Elias contou que recebeu os valores ilícitos até novembro daquele ano. O dinheiro era entregue em espécie no próprio gabinete do ex-secretário da SAD e também na Fiemt. “Em um desses encontros, não se recordando se durante o segundo ou terceiro encontro Jandir Milan ofereceu ao interrogando o pagamento de propina por conta de seus contratos com a SAD, o que geraria ao interrogando um pagamento mensal de R$ 20.000,00, sempre em dinheiro em espécie; que o interrogando aceitou tal oferta de Jandir Milan e este lhe entregou, todos o mês a partir de março de 2014 a novembro de 2014, em seu gabinete na SAD e também na Fiemt, eis que Jandir Milan era presidente da FIEMT”, narra Pedro Elias.

DENÚNCIA

O Ministério Público Estadual, por meio do promotor Clóvis de Almeida Junior, ofereceu denúncia contra os ex-secretários de Administração, Cézar Zílio e Pedro Elias Domingos de Mello; o ex-adjunto da pasta, José de Jesus Nunes Cordeiro, o servidor público Bruno Sampaio Saldanha, o empresário e ex-presidente da Fiemt (Federação das Indústrias de Mato Grosso) Jandir José Milan e a empresa Ábaco Tecnologia da Informação Ltda. Eles são acusados de improbidade administrativa.

Na mesma denúncia, o promotor pede o bloqueio de R$ 34.169.476 de Bruno Saldanha, de José Nunes Cordeiro, de Jandir Milan e da Ábaco. Não houve pedido de bloqueio de bens de Zílio e Pedro Elias por conta dos acordos de colaboração premiada que firmaram com o Ministério Público Estadual em que ambos já acertaram a devolução de recursos aos cofres públicos. 

A denúncia tem como base o contrato firmado entre o Governo do Estado, na gestão de Silval Barbosa, e a Ábaco.  A CGE (Controladoria Geral do Estado) também investigou  o contrato e constatou que ele foi fraudado desde o processo licitatório, pois o certame foi criado já com objetivo de favorecer a empresa do ex-presidente da Fiemt.

Fonte:nortaonoticias